Viagem Medieval antecipa há 15 anos a lei da inclusão
A Viagem Medieval em Terra de Santa Maria atribuiu, na edição de 2026, 1.684 acessos gratuitos a acompanhantes de Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (PDMR), dando continuidade a uma prática implementada há 15 anos, através do projeto Viagem Acessível. A medida antecede a entrada em vigor, em março deste ano, do Decreto-Lei n.º 65/2026, que passou a estabelecer o direito a bilhete gratuito para acompanhante de pessoa com deficiência em equipamentos culturais abrangidos pelo diploma.
A gratuitidade para acompanhantes de pessoas com deficiência não é uma novidade na Viagem Medieval. Há 15 anos, o evento desenvolve o projeto Viagem Acessível, procurando eliminar barreiras à participação e garantir que a experiência cultural pode ser usufruída por públicos com diferentes necessidades.
Na edição de 2026, foram atribuídos 1.684 acessos gratuitos a acompanhantes de PDMR: 359 através de bilhete diário, 1.027 através de pulseira e 298 através de Pulseira Real. Somando os acessos destinados às próprias pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, foram contabilizados 3.642 acessos para PDMR e respetivos acompanhantes.
Os números registados este ano surgem no mesmo período em que entrou em vigor o Decreto-Lein.º 65/2026, de 5 de março, que criou o bilhete gratuito para um acompanhante de pessoa com deficiência. A medida tinha sido anunciada pelo Governo como uma forma de reforçar a inclusão no acesso à Cultura.
O presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, sublinha que “promover a acessibilidade é garantir que ninguém fica de fora e que todas as pessoas têm condições para usufruir plenamente do evento. É esse o compromisso que temos assumido, procurando eliminar barreiras e tornar esta experiência cultural cada vez mais inclusiva. A legislação vem agora consagrar um princípio que a Viagem Medieval já assumia na prática: a Cultura deve estar verdadeiramente ao alcance de todos”, afirma.
Esse compromisso vai além da entrada no recinto. Em 2026, o projeto Viagem Acessível incluiu visitas com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, visitas orientadas para pessoas com mobilidade reduzida e visitas para pessoas cegas, com apoio de audiodescritor. No total, estas iniciativas envolveram 225 participantes.
A acessibilidade foi também integrada na programação e nas condições de visita, com três espetáculos interpretados em Língua Gestual Portuguesa, roteiro acessível para pessoas com mobilidade reduzida, planta tátil, programa em Braille e equipamentos de apoio disponíveis para empréstimo. Com uma programação distribuída pelo centro histórico de Santa Maria da Feira, a Viagem Medieval assume a acessibilidade como uma dimensão que ultrapassa o acesso ao recinto. A orientação, a comunicação, a interpretação e a adaptação da experiência fazem parte de uma estratégia desenvolvida ao longo dos últimos 15 anos e que, em 2026, voltou a traduzir-se em medidas concretas e em milhares de acessos destinados a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e aos seus acompanhantes.




